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POR ELA | Talita Dornelas
CONHEÇA SUA HISTÓRIA
Existem acontecimentos que mudam uma vida. Mas não conseguem definir tudo o que ela pode se tornar.
Talita Dornelas tinha apenas cinco anos quando sua vida tomou um rumo que ninguém poderia prever. Um acidente deixou como consequência a tetraplegia e, ainda muito pequena, ela precisou começar a descobrir uma maneira diferente de se relacionar com o próprio corpo, com a rotina e com o mundo ao seu redor.
Era cedo demais para compreender completamente tudo o que havia acontecido. Enquanto outras crianças simplesmente descobriam a infância, Talita e sua família também precisavam aprender sobre adaptações, cuidados, acessibilidade e uma nova realidade que passaria a fazer parte de sua vida.
E foi justamente a família que se tornou uma parte fundamental dessa caminhada. Ao lado de pessoas que acreditaram nela e estiveram presentes durante esse processo, Talita cresceu descobrindo aquilo que poderia fazer, construir e conquistar. Isso não significa que os obstáculos desapareceram. Significa que ela não precisou enfrentá los sozinha.
Natural de Itaquaquecetuba, São Paulo, aquela menina cresceu. E, com ela, cresceram também seus sonhos, sua personalidade e a vontade de construir uma história que não estivesse limitada ao que havia acontecido aos cinco anos.
Quando a própria história também encontra propósito
Talita escolheu a Psicologia como profissão e se formou na área. Uma escolha que acrescentou um novo capítulo à sua trajetória. Além de viver seus próprios processos, passou também a estudar o comportamento humano, a escuta, as emoções e tudo aquilo que existe por trás das histórias que cada pessoa carrega.
Sua experiência pessoal faz parte de quem ela é, mas não substitui sua formação profissional. Pelo contrário. Talita construiu um caminho em que conhecimento, experiência e sensibilidade podem coexistir.
Hoje, quem encontra a psicóloga Talita encontra uma profissional que também conhece, a partir de uma perspectiva muito particular, questões relacionadas à adaptação, autonomia e reconstrução.
Mas seria impossível contar sua história falando apenas sobre Psicologia.
Porque existe também uma atleta nessa história.
Das escolhas para as quadras
Talita encontrou na bocha paralímpica muito mais do que uma atividade esportiva. Encontrou competição, estratégia, concentração, disciplina e uma nova maneira de desafiar a si mesma.
Na bocha paralímpica, cada movimento importa. Técnica, precisão e estratégia podem decidir uma partida, e Talita transformou esse espaço em mais um lugar para desenvolver suas capacidades.
Vieram os treinos, as competições e, com eles, resultados que passaram a fazer parte de sua trajetória.
Em 2022, Talita conquistou ouro na Seletiva e também foi campeã de pares. Conquistas que representam muito mais do que medalhas ou fotografias no pódio. Por trás de cada resultado existem preparação, rotina, persistência e inúmeras horas que quase nunca aparecem na fotografia da vitória.
E talvez esteja justamente aí uma das partes mais interessantes de sua história: Talita nunca precisou escolher uma única versão de si mesma.
Ela poderia ser psicóloga. Poderia ser atleta. Poderia competir. Poderia trabalhar. Poderia aparecer na televisão. Poderia construir novos objetivos. Poderia simplesmente viver experiências que não precisassem ter relação alguma com sua deficiência.
E fez tudo isso sendo a mesma mulher.
Uma história que chegou a outras pessoas
Com o tempo, sua trajetória também despertou a atenção da mídia, e Talita participou de programas de televisão, compartilhando partes de sua história com um público ainda maior.
Essa visibilidade também abre espaço para uma conversa importante.
Pessoas com deficiência ainda são frequentemente apresentadas apenas a partir da deficiência. Profissões, relacionamentos, ambições, talentos, personalidades e acontecimentos cotidianos muitas vezes desaparecem atrás de uma única característica.
A história de Talita mostra justamente como uma vida pode ser muito maior do que aquilo que enxergamos primeiro.
A tetraplegia faz parte dela. Está presente em sua rotina e traz desafios reais que não precisam ser diminuídos nem transformados em uma narrativa perfeita. Existem barreiras, adaptações e dificuldades que continuam fazendo parte de seus dias.
Mas existe muito mais.
Existe a mulher que estudou Psicologia. A profissional que construiu sua carreira. A atleta que entrou em quadra para competir. As medalhas conquistadas. A família que esteve ao seu lado. As aparições na televisão. Os dias comuns. Os planos que deram certo e aqueles que precisaram mudar. Os sonhos realizados e tantos outros que ainda podem surgir.
Muito além de uma história de superação
Talvez a palavra superação apareça naturalmente quando alguém conhece a trajetória de Talita. E, de muitas maneiras, ela realmente precisou superar obstáculos desde muito cedo.
Mas existe uma diferença importante entre reconhecer sua força e resumir sua existência a ela.
Talita não precisa ser extraordinária todos os dias simplesmente porque é uma mulher com deficiência. Sua história também merece espaço para aquilo que é comum, imperfeito, divertido, cansativo, profissional, pessoal e humano.
Ela não é apenas a menina que sofreu um acidente aos cinco anos.
Não é apenas uma mulher com tetraplegia.
Não é apenas a psicóloga.
Não é apenas a atleta que conquistou medalhas.
Talita é tudo isso ao mesmo tempo e ainda muito mais do que qualquer apresentação conseguiria resumir.
E talvez seja exatamente por isso que sua história esteja aqui, no ELA.
Porque conhecer verdadeiramente uma mulher também significa olhar além da primeira característica que enxergamos e descobrir todas as outras histórias que existem dentro dela.
Hoje, aquela menina de cinco anos é uma mulher que continua escrevendo a própria trajetória. Com sua profissão, seu esporte, sua família, suas conquistas, seus desafios e tudo aquilo que ainda deseja viver.
A história de Talita não é sobre uma mulher que simplesmente “venceu” a deficiência. É sobre uma mulher que aprendeu a viver uma nova realidade e continuou encontrando maneiras de construir a vida que desejava.
Psicóloga. Atleta. Mulher.
E, acima de tudo, protagonista da própria história.
Quer conhecer mais sobre ela?
A história de Talita não cabe em uma única página. Em suas redes, é possível acompanhar mais sobre seu dia a dia, seu trabalho como psicóloga, sua trajetória na bocha paralímpica e tudo aquilo que existe para além do que contamos aqui.
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